Parem de atirar moedas uns para cima dos outros!

Os fundadores estão sempre numa posição privilegiada

Ao lançar qualquer tipo de projeto seja ele cripto ou não, os seus fundadores beneficiam da posse de informações por relação aos novos clientes e utilizadores recém-chegados em consequência de reuniões privadas realizadas com outras partes interessadas, pesquisas de mercado anteriores que possam ter sido feitas, desenvolvimento do produto em si, etc., um problema que é tipificado na economia tradicional como uso de informações privilegiadas vulgo insider trading.[8] Em criptoeconomia isto inevitavelmente favorece os criadores de igual forma, tosse Sakamoto[9] tosse; mas não é percecionado como sendo algo necessariamente mau. O que é verdadeiramente fundamental para o cumprimento do etos da Web3 no mundo das DAOs é que, pelo menos, com o passar do tempo e o amadurecimento da comunidade, hajam mecanismos de verificação e garantias de que esta influência tenda a diminuir, sempre que possivel codificando na forma de regras e acordos autoexecutáveis em contratos inteligentes.

Governanção em DAOs é o bloco de construção fundamental

Vamos imaginar um cenário em que os fundadores de um projeto não tenham nenhum poder de veto para começar. Qualquer pessoa pode ingressar na DAO e participar na sua governanção com iguais direitos, como qualquer DAO deve ser. Agora, digamos que o poder de voto seja proporcional ao número de fichas aka tokens aka acções, que possua e não à regra 1 pessoa-1 voto. Mais, estas fichas ou acções podem ser compradas com dinheiro de forma indiscriminada. É assim que funcionam a maioria das DAOs actualmente.

Significa então que a votação baseada em tokens é uma abordagem completamente errada e inútil?

Fora do próprio domínio da infraestrutura blockchain em si, se olharmos apenas para o aspecto DAO em particular, no estado atual das coisas, a resposta é que a votação baseada em tokens não fornece um mecanismo seguro e claro para a tomada de decisões, a menos que os votantes estejam prontos a reconhecer que aquilo em que estão a participar não é realmente descentralizado pelas razões a que aludimos. Em um mercado regulado, as coisas podem ser diferentes. Neste caso votar com dinheiro pode na verdade ser a melhor abordagem em certas áreas da economia. Regulamentação não precisa necessariamente significar centralização, desde que as regras pelas quais certas operações financeiras ocorram, operações cripto financeiras neste caso, sejam previamente acordadas por entre todos os hipotéticos possuidores de tokens governativas. A vantagem da existência deste regulamento por exemplo seria o de promover mecanismos justos de resolução de conflitos.

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